Operação Eldorado: após 8 anos, violência continua

fev 12, 20200 Comentários

Operação Eldorado: após 8 anos, violência continua

Ação da Polícia Federal que em 2012 assassinou liderança indígena, torturou e prendeu pessoas na Aldeia Teles Pires, é julgada agora com forte racismo institucional por parte do Judiciário.

povo Munduruku em frente ao prédio da justiça federal em Itaituba – PA. ( Foto: Caio Mota/ Proteja Amazônia)

A Justiça Federal iniciou na última terça-feria 11 de fevereiro, no município de Itaituba, as audiências de instrução para escutar as testemunhas dos processos da Operação Eldorado. Uma ação da Polícia Federal realizada, dia 7 de novembro de 2012, na região do rio Teles Pires, na fronteira entre o Pará e Mato Grosso, para combater garimpo ilegal e que terminou na execução da liderança indígena Adenilson Kirixi Munduruku e na agressão e detenção de moradores da Aldeia Teles Pires, incluindo idosos e crianças, que relatam terem sofrido torturas por parte dos policiais.

A mesma violência que marcou a operação da PF também segue durante o processo de julgamento. Os indígenas que há oito anos lutam por justiça, foram barrados pela Polícia Militar na entrada do prédio da Justiça Federal. Sem apoio dos órgãos federais, os indígenas fizeram uma viagem de mais de 3 dias para chegar até a audiência. Três testemunhas chaves do caso, nao conseguiram fazer a viagem porque já estão idosos e com a saúde debilitada para fazer a viagem de voadeira com as fortes chuvas desta época e ter que viajar cerca de 12 horas em ônibus.

As audiências serão realizadas até o dia 14 de fevereiro, sob a presidência da juíza Sandra Maria Corrêa da Silva da Vara Federal de Itaituba. Os primeiros dois dias serão para escutar testemunhas e colher provas para a ação movida pelo Ministério Publico Federal (MPF) contra União, que cobra R$ 10 milhões por danos morais. Os últimos dois dias serão dedicados ao processo do MPF que denunciou o delegado da PF Antonio Carlos Moriel Sanches pelo crime de homicídio qualificado. Oito advogados da Advocacia Geral da União (AGU) participam das audiências para defender a PF e o delegado acusado pelo assassinato. O Procurador Geral do Município de Itaituba, Hugo Elias Silva Charchar, é o responsável pelas ações movidas pelo MPF.

Cerca de 150 indígenas que vieram acompanhar as audiências, foram impedidos de ficar próximos do prédio da Justiça Federal. Uma estrutura com telão foi montada no Rotary Club de Itaituba para que os indígenas acompanhem a transmissão da vídeo conferência das audiências.

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